A obra Refúgio do Sol (ago./2020 a set./2021) com 62m2, localizada no Sítio Solzinho, zona rural do município de Barbalha (CE), na Chapada do Araripe, trouxe uma mistura de técnicas construtivas na busca por uma melhor relação da presença humana (conforto ambiental) com a natureza e seus fenômenos (sol, ventos, clima, tempo, paisagens, águas, vegetação).
O Sol, da iluminação natural a marcação da passagem do ciclo do dia. Sol é vida e ao mesmo tempo, em certos momentos do dia é calor escaldante e assim requer proteção, abrigo. O Sol da manhã atravessa as aberturas através da pele de esquadrias e vidros. O Sol da tarde será recebido pela parede de taipa de pilão com 40cm de espessura mantendo a casa confortável. Ao anoitecer a casa devolve, ao descanso do sol, a luz que iluminará os vários níveis de jardins que a envolve.
O lugar nos deu indícios dos materiais a serem escolhidos, a partir da sua ABUNDÂNCIA. No terreno, a riqueza de terra foi determinante para a escolha desse elemento como material predominante para a construção das vedações da casa, em duas formas: taipa de mão e taipa de pilão. Essas técnicas resgatam o fazer das tradições populares da região.
Taipa de Pilão: uma parede de 0,40 x 8,0 x 5,0m na direção norte-sul, protege a insolação poente através da sua elevada capacidade em promover inércia térmica.
Argamassa Armada: técnica difundida na construção das cisternas no sertão nordestino. Foi utilizada para acomodar o bloco hidráulico destacado pela cor azul (cor definida pelo morador ser filho de Iemanjá), garantindo pequenas espessuras de paredes (0,10m), plasticidade e resistência as águas.
Nesse processo a arquitetura é delicadamente costurada: malha plástica e vergalhões, que são base estrutural do processo, para o recebimento da mistura de cimento, água, areia e agregados miúdos. Taipa de Mão: utilizada para as outras vedações, foram construídas no período de uma manhã através de um processo de mutirão.
Como forma de tratamento das águas de pias e bacias utilizamos, respectivamente, um círculo de bananeiras e uma bacia de evapotranspiração.
O processo de construção artesanal permitiu que todos os envolvidos na obra e passantes vivenciassem cada etapa como um canteiro experimental que proporcionou a construção de muitos aprendizados e trocas de conhecimentos.
Arquitetos
André Moraes e Carolina Mapurunga
Estagiárias de arquitetura
Andressa Gomes
Bioconstrução
João
Francisco
Pedrinho
Ciçô
Mutirão taipa de mão
Alane, Jó, Jeez, Paulinho, Francisco, Jefferson, Andressa, João, Carol, André, Pedrinho, Ciçô
Tijoleira
Paulo
Esquadrias
Madeireira Santa Edwirgens
Vidros
Ney e Guilherme
Serralharia
Francisco
Cantaria dos muros e pintura
Marcos
Pintura das portas
Valmir
Granito
Jane
Ladrilho hidráulico
Mestre Jaime
Clientes
Glauberto e Marcos
Fotografia
Igor Ribeiro