Casa 3x10

Por mais licenças[1]
poéticas[2]

Quando a arquitetura (corpo, território, projeto, construção, obra em contínua transformação) passeia entre devaneios poéticos e as realidades do habitar. A poesia presente[3] no Refúgio do Sol[4].

A Casa 3×10 leva esse nome por estar implantada em um lote de 30m² (3m de frente por 10m de profundidade) na cidade de Juazeiro do Norte – CE. O bairro popular João Cabral, o qual a residência está localizada, é carregado de uma ambígua notoriedade, de um lado o estigma do bairro mais violento da cidade, fruto de uma ocupação periférica, e do outro a cultura pulsante, grupos da cultura popular e de tradição (reisado, maneiro pau, bacamarte, maculelê, entre outros) tornam os cortejos manifestações frequentes nas suas ruas. Uma casa mínima para uma família composta por um casal e dois filhos. O desafio foi definir minuciosamente cada detalhe para garantir uma maior fluidez espacial com conforto ambiental (térmico, acústico e lumínico) e melhor aproveitamento da ventilação para proporcionar bem estar aos moradores.

Quais as estratégias?

Desde reduzir ao máximo o número e as dimensões das paredes até a escolha dos materiais que compõem cada uma delas; filtrar as entradas de iluminação com venezianas móveis para permitir uma boa iluminação e ventilação natural; inserção de um pequeno pátio central, área destinada à circulação vertical, com fechamento superior feito por uma clarabóia que além de iluminar o centro da casa estimula a constante saída de ar quente.

Dessa forma foram construídos um total de 60m². No térreo uma sala de estar integrada à cozinha e sala de jantar; e área de serviço com lavabo e depósito.

No primeiro pavimento foram dispostos dois quartos, varandas (sonho da cliente) e um banheiro.

A casa foi pensada de modo a utilizar o mínimo de revestimentos, explorando dessa forma, os elementos construtivos de piso, parede e teto no estado natural aparente do material. Esse recurso além de minimizar os custos incentiva a pesquisa por novos materiais, e soluções que minimizem o tempo e limpeza da obra. A laje do primeiro pavimento é de madeira angelim pedra, uma vez que também essa já serve como assoalho para os quartos. Essas lajes se adaptam muito bem ao clima de juazeiro quente e seco.

O concreto foi utilizado apenas na laje do banheiro. A cobertura da casa foi feita com telha sanduíche. Priorizar a utilização de materiais produzidos na região também foi uma máxima do projeto, que fez uso de tijolos de solo cimento (25x12x6,5cm) que constituem uma pele respirante da edificação; e de cobogos produzidos em Juazeiro do Norte. Ladrilhos hidráulicos produzidos artesanalmente em Barbalha. E paredes de ferrocimento com 5cm de espessura e piso em cimento polido produzidos em loco.

Ficha Técnica:

Arquitetos:

André Moraes e Carolina Mapurunga

Estagiárias:

Taianne Feitosa, Letícia Fechine e Elaine Wergila

Construção:

Bozó, Vanja, Edinei, Ricardo, Ciçô

Escada:

Beto (Inpremaq)

Esquadrias:

Félix (Madeireira Nsa. Sra. de Fátima)

Serralharia Numeração:

Dudu (Global Comunicação Visual)

Fotografia:

Constance Pinheiro