Casa Cor Pernambuco

Livraria CEPE: "Tudo que é Sólido se Desmancha no Ar"

O projeto para a Casa Cor, intitulado "Tudo que é Sólido se Desmancha no Ar", propõe uma livraria para a Editora CEPE, buscando uma abordagem disruptiva que desafia o imaginário convencional das livrarias com estantes de marcenaria.

A inspiração central do ambiente reside na arte de Mestre Júlio Gonçalves, funcionário mais antigo da CEPE, que cria esculturas em papel machê a partir das aparas de papel da produção de livros.

As obras de Mestre Júlio, visualmente densas e imponentes, são, na verdade, extremamente leves, por serem feitas de papel. Com esse mote, o projeto explora de maneira lúdica a relação entre peso e leveza em seus diversos elementos:

Esculturas em Suspensão: As obras de Mestre Júlio são suspensas por cabos de aço e roldanas e equilibradas por livros da editora, criando a ilusão de que as peças, de aparência pesada, estão flutuando no ar.

Mesa Flutuante: Uma mesa de quartizito terracota tem um de seus lados suspenso por cabo de aço, reforçando a brincadeira com a gravidade.

Kokedama Suspensa: A árvore Ficus Lyrata foi disposta em formato de kokedama e suspensa, adicionando um elemento orgânico de leveza.

Em uma decisão arrojada para fugir do uso de madeira, o espaço é marcado pela ausência desse material. A estante, elemento protagonista, foi construída e integralmente revestida com placas cerâmicas da fábrica Obi, que desenvolveu a cor exclusiva “Vitória Régia” para o ambiente.

Aproveitando o pé-direito alto do espaço, a estante invade o andar superior, transpassando o guarda-corpo e elevando sua imponência. O piso também é assinado pela OBI, utilizando o formato 9×9 e a cor “Algodão”, desenvolvida especialmente para o projeto.

A vitrine do espaço apresenta um arco construído e revestido com placas cerâmicas em duas cores (Cacau e Terra), prestando homenagem a uma esquadria em arco do edifício histórico.

Outro destaque na vitrine são as placas cerâmicas que parecem flutuar, presas por barras rosqueadas. Essas placas remetem a páginas de livros e acentuam a ideia do jogo de peso e leveza. A escada do ambiente recebeu a cor Vermelho Pitanga Madura da Coral.

Este tom, que complementa o verde da estante, proporciona um contraste vibrante e um ponto focal ao projeto. O resultado é um espaço que redefine a experiência de livraria, transformando materiais em elementos de espaço poético e surpreendente.

O projeto propõe uma livraria para a Editora CEPE que desafia o imaginário convencional. Inspirado nas esculturas de papel machê de Mestre Júlio Gonçalves, o espaço brinca com o equilíbrio entre peso e leveza. As esculturas parecem flutuar, equilibradas por livros que ganham novo papel no ambiente.

A estante verde, monolítica, atravessa o pé-direito e invade o andar superior.

Na vitrine, o arco cerâmico homenageia as esquadrias do edifício antigo, e as placas, presas por barras rosqueadas, flutuam como páginas de livros.

Ficha Técnica:

Arquitetos:

André Moraes e Carolina Mapurunga

Fotografia:

Lara Albuquerque e Walter Dias